Há muito prometido, pelos fãs exigido, e de que maneira (lembro-me dos dedos em riste na tarde do 3º Encontro de Fãs na Costa da Caparica em 2005), este disco, ou esta série de discos agora iniciada, abriu a tampa do baú das nossas canções escondidas.. E vai revelar que os UHF têm uma história para lá da sua discografia oficial.
Já que é tão difÃcil perceber porque parte da nossa obra em vinil ainda não foi reeditada em CD (1982-1990), e também porque outra parte editada em CD (1991-1996), se encontra esgotada há demasiado tempo, sentimos que chegou o momento de entrar no cofre e publicar as primeiras pérolas do tesouro guardado. Foi um trabalho complicado de realizar, tal o manancial em oferta. A escolha recaiu nestas treze canções para o primeiro volume, alinhadas por ordem cronológica entre 1979 e 2005.
Não guardamos de nós muitos registos ao vivo (o que muitas vezes é mais do mesmo). Estas raridade mostrarão que desde o princÃpio da aventura (78/79) procurámos o aperfeiçoamento das canções, gravando maquetas, continuando sempre a escrever, para voltar ao estúdio. Arrisco dizer que tÃnhamos muita atitude e um estoicismo peculiar – além de nós os quatro e mais cinco ou seis carolas, que nos subsidiavam com amizade, transporte e gasolina, ninguém, mas mesmo ninguém, nos levava a sério. A começar pelas nossas famÃlias.
Estou-me a lembrar de uma visita, na primavera de 80, aos estúdios Arnaldo Trindade (Rua de Campolide em Lisboa), e o impenetrável Moreno Pinto perguntar-me se eu queria mesmo gastar dinheiro a gravar uma maqueta num estúdio profissional, depois da experiência “Jorge Morreuâ€, também ali gravado uns meses antes. Argumentei que era decisivo chegar a uma nova editora com algo mais concreto, registado num estúdio de 12 pistas (olé!).
No final de 79, dois momentos foram determinantes para consolidar o querer e a alma. Em Setembro fizéramos as primeiras partes dos Doctor Feelgood; e em Dezembro, seria a vez de mais dois concertos com Elvis Costello.
Ainda em Dezembro, oito horas e uma bateria alugados no Estúdio Musicorde (a carteira só nos permitia um estúdio de 8 pistas), custar-nos-iam oito mil e oitocentos Escudos, qualquer coisa como 44 Euros, o que nos deixou depenados por várias semanas. As canções 1 e 2 são parte do resultado. O resto é como uma Biografia de estrofes, batidas certas e solos enraivecidos, definindo UHF.
António Manuel Ribeiro, Fevereiro de 2007
(Original text from CD I)