BelÃssimo filme que é Alice et Martin. Um excelso exemplo de como modificar toda uma história – e o seu rumo – na convocação de uma memória que se quer perdida para sempre. Raramente uma câmara em movimento foi assim levada pela impulsividade das personagens e das suas convulsões, e é nessa liberdade esmagadora que Techiné triunfa ao longo de todo o filme. Trabalho de montagem excepcional, com cortes rectos, impetuosos, mostrando o todo necessário para nos interessarmos por aqueles seres. Momentos-milagre: Alice fala da irmã; Martin sentado no jardim do hospital psiquiátrico, assombrado pelos seus dois passados; todos os instantes com a mãe de Martin, personagem que evoca o melhor cinema de Almodóvar (a maternidade, os diálogos dinâmicos, com garra, e a exposição de um absoluto sacrifÃcio feminino).
PUBLICADA POR CARLOS PEREIRA